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Viajar de carro

Carta verde: para que serve e onde é obrigatória

A carta verde é o certificado internacional de seguro automóvel: prova, num formato reconhecido por dezenas de países, que o veículo tem responsabilidade civil válida. Dentro do Espaço Económico Europeu não é exigida nas fronteiras; fora dele pode ser obrigatória, e obtém-se gratuitamente junto da sua seguradora antes da viagem.

O que é exatamente e quem a emite

O documento nasceu de um sistema internacional de cooperação entre seguradoras — o sistema da carta verde — gerido por gabinetes nacionais em cada país aderente. Quando um veículo estrangeiro causa um acidente, o gabinete local garante a indemnização ao lesado e acerta contas com a seguradora de origem. A carta identifica o veículo, o tomador, a seguradora, o período de validade e os países onde a cobertura opera. É emitida pela companhia onde tem o seu seguro automóvel, habitualmente sem custo e em poucos dias.

Onde é exigida e onde foi dispensada

A resposta divide-se em três círculos:

  • Espaço Económico Europeu (e países equiparados): a matrícula funciona como presunção de seguro, pelo que a carta verde não é pedida na fronteira — mas continua a ser útil como prova em caso de acidente;
  • Países do sistema fora do EEE: a carta verde é normalmente exigida à entrada e nos controlos; sem ela, pode ter de comprar um seguro de fronteira local;
  • Países fora do sistema: a sua apólice não vale; é obrigatório contratar seguro local à chegada.

A lista de países aderentes e as condições mudam ao longo do tempo: antes de cada viagem, confirme junto da sua seguradora ou do gabinete nacional (em Portugal, através da informação disponibilizada pelo setor segurador e pela ASF) quais os territórios cobertos pela sua apólice.

Do papel verde ao certificado digital

Durante décadas o documento tinha de ser impresso em papel verde; a modernização do sistema veio permitir a emissão em fundo branco, a impressão a preto e branco e, em muitos casos, a apresentação em formato digital. Na prática, porém, a aceitação do ecrã do telemóvel varia de país para país e de agente para agente. A abordagem prudente resume-se numa linha: leve sempre uma versão impressa, mesmo que também a tenha na app da seguradora.

Destino da viagemCarta verdeAlternativa se faltar
Dentro do EEERecomendada, não exigida na fronteiraCertificado de seguro nacional
País do sistema fora do EEEExigida com frequênciaSeguro de fronteira pago localmente
País fora do sistemaNão é válidaSeguro local obrigatório

Checklist antes de atravessar fronteiras

  1. Peça a carta verde à seguradora com antecedência e confira os países listados;
  2. Verifique se a validade cobre todas as datas da viagem, incluindo o regresso;
  3. Confirme se as coberturas facultativas — assistência em viagem, danos próprios, veículo de substituição — operam no estrangeiro e com que franquia;
  4. Leve um exemplar da declaração amigável no porta-luvas, além dos contactos de assistência;
  5. Guarde os documentos do carro e a carta de condução válida — e, para destinos que o exijam, a permissão internacional de conduzir;
  6. Se a viagem for curta e o carro habitualmente não circula, compare com um seguro temporário com âmbito internacional.
Atenção: a carta verde só comprova a responsabilidade civil obrigatória. Danos do seu próprio veículo, roubo ou assistência no estrangeiro dependem das coberturas facultativas da apólice — confirme-as por escrito antes de partir.

Acidente lá fora: os primeiros minutos

O procedimento é o mesmo de qualquer sinistro, com um cuidado extra na prova: preencha a declaração amigável (os campos numerados são iguais em todas as versões linguísticas), fotografe a carta verde ou o certificado do outro condutor, registe matrículas e testemunhas e faça a participação à sua seguradora logo que possível. Se o outro veículo for estrangeiro e as seguradoras não se entenderem, o gabinete nacional do país do acidente é a entidade que destrava o processo.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

A carta verde tem algum custo?

Normalmente não: é emitida pela seguradora sem custo adicional, já que comprova uma cobertura que o seu contrato inclui. Basta pedi-la com alguma antecedência face à viagem, pela área de cliente, app ou mediador.

Preciso da carta verde para conduzir em Espanha ou noutro país da UE?

Dentro do Espaço Económico Europeu a carta verde não é exigida nas fronteiras, porque a matrícula presume seguro válido. Ainda assim, levá-la simplifica a identificação das seguradoras em caso de acidente, pelo que continua a ser recomendada.

Posso apresentar a carta verde no telemóvel?

Depende do país. O sistema passou a admitir o formato digital e a impressão a preto e branco, mas alguns países exigem documento em papel no momento do controlo. Imprima uma cópia antes de viajar para eliminar o risco.

O que faço se tiver um acidente no estrangeiro?

Preencha a declaração amigável — o modelo europeu tem campos idênticos em todas as línguas —, fotografe os veículos e a carta verde do outro condutor e participe o sinistro à sua seguradora logo que possível. O sistema de gabinetes nacionais trata da articulação entre companhias.